Para Sentir

“Só devemos dizer aquilo que o coração pode testificar mediante atos sinceros, porque, de outra forma, as afirmações são simples ruído sonoro de uma caixa vazia.”

Texto extraído do livro BOA NOVA, Lição 10 – O Perdão - Psicografia de Francisco Cândido Xavier, por Humberto de Campos

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quinta-feira, 30 de maio de 2024

Oração da Migalha

Senhor! 

Quando alguém estiver em oração, referindo-se à caridade, faze que este alguém me recorde, para que eu consiga igualmente ajudar em teu nome. 

Quantas criaturas me fitam, indiferentes, e quantas me abandonam por lixo imprestável!...

Dizem que sou moeda insignificante, sem utilidade para ninguém; contudo, desejo transformar-me na gota de remédio para a criança doente. 

Atiram-me a distância, quando surjo na forma do pedaço de pão que sobra à mesa; no entanto, aspiro a fazer, ainda, a alegria dos que choram de fome. Muita gente considera que sou trapo velho para o esfregão, mas anseio agasalhar os que atravessam a noite, de pele ao vento... Outros alegam que sou resto de prato para a calha do esgoto, posso converter-me na sopa generosa, para alimento e consolo dos que jazem sozinhos, no catre do infortúnio, refletindo na morte. 

Afirmam que sou apenas migalha e, por isso, me desprezam... Talvez não saibam que, certa vez, quando quiseste falar em amor, narraste a história de uma dracma perdida e, reportando-te ao reino de Deus, tomaste uma semente de mostarda por base de teus ensinos.

Faze, Senhor, que os homens me aproveitem nas obras do bem eterno !... E, para que me compreendam a capacidade de trabalhar. Dize-lhes que, um dia, estivemos juntos, em Jerusalém, no templo de Salomão, entre a riqueza dos poderosos e as jóias faiscantes do santuário, e conta-lhes que me viste e me abençoaste, nos dedos mirrados de pobre viúva, na feição de um vintém.

(Pelo Espírito Meimei. Chico XavierO Espírito da Verdade. Espíritos Diversos.)

terça-feira, 8 de abril de 2014

Visitando a vovó

Glorinha gostava muito de animais, especialmente de cachorros. Vivia sempre pedindo aos pais que lhe dessem um cãozinho.

Certo dia, ela pediu tanto, que seu pai disse:

— Tem certeza de que deseja um cachorrinho, filha?

De olhos brilhantes e mãos postas, a menina respondeu:

— Sim, sim, Papai! Meu aniversário está se aproximando. Posso pedir um cãozinho de presente?

Os pais trocaram um olhar, depois a mãe concordou:

— Está bem, Glorinha. Desde que você prometa que vai cuidar bem dele. Você sabe, os animais dão trabalho: não pode faltar água, ração na hora certa, e o banho semanal; se ficar doente tem que dar remédio. Ah! E não pode deixar o portão aberto, senão ele foge.    

A menina vibrava de alegria, concordando com tudo.

— Sim, mamãe. Farei tudo direitinho, prometo!

Então, certo dia, quando Glorinha acordou, ouviu um barulho diferente embaixo de sua cama. Virou de cabeça para baixo e viu o cãozinho mais lindo que se poderia imaginar!

Cheia de alegria, pegou-o no colo e correu para a cozinha onde a mãe preparava o café da manhã. Os pais, que já a esperavam, sorriram.

— Ele é lindo! Obrigada, papai! Obrigada, mamãe! Ele é muito fofo! Pois vou chamá-lo de Fofo!

Daquele dia em diante, a vida de Glorinha mudou. Ela estava sempre cuidando de Fofo. Logo cedo lhe dava a ração e enchia a vasilha de água. Nos finais de semana, não se esquecia do banho, que ele adorava.

Assim, cresciam o cãozinho e sua dona.

Certo dia, dois anos depois, Fofo amanheceu quieto, sem vontade de comer e de brincar. A menina, preocupada, falou com seus pais, que disseram:

— Não deve ser nada. Logo passa. 

Mas, no dia seguinte, Fofo continuou quieto, não comia, não queria brincar. Foi levado ao veterinário, que passou a medicação que deveria ser dada ao cãozinho.

No entanto, ele só piorava. Até que, um dia, Fofo não acordou mais. Glorinha chorou muito, agarrada ao seu amiguinho de brincadeiras.

Como o terreno da casa fosse grande, enterraram Fofo no fundo do quintal, onde Glorinha colocou os brinquedos de que ele mais gostava, justificando:

— É para o Fofo brincar, se tiver vontade.

Triste e desconsolada, Glorinha nem brincava mais. Só ia para a escola e, na volta, ficava em seu quarto, deitada.

Preocupados, os pais pediam a Jesus que amparasse a filha, ainda tão pequena, para que ela superasse a dor da perda do seu amiguinho cão.

Até que, um dia, Glorinha sonhou que foi visitar sua avó, já no mundo espiritual.

Recebida com muita alegria pela vovó Ana, que a abraçou satisfeita, Glorinha disse:

— Que bom, vovó! Não sabia que você estava num lugar tão lindo! Quantas árvores, quantas flores! Onde vai dar este caminho?

— Na minha casa. Venha! Tenho uma surpresa para você, Glorinha.

Chegando perto da casa, a menina viu um cãozinho que corria ao seu encontro. Sem poder acreditar, ela arregalou os olhos:

— Mas é o meu Fofo!...

O cachorrinho latia feliz vendo sua dona, que o pegou no colo, radiante de felicidade, enquanto ele lambia seu rosto. Depois, chorando de alegria, Glorinha olhou para a avó:

— Vovó Ana, como Fofo veio parar aqui?...

Sentaram-se num banco, à sombra de uma árvore, e a vovó explicou:

— Você sabe que não existe a morte, não é? Todos continuam vivendo! Então, como você estava muito triste, querida, pedi a Jesus para que eu pudesse cuidar do seu cãozinho para você. Assim, ele está comigo desde que veio para cá.

Glorinha abraçou a avó, agradecendo-lhe por estar cuidando do seu cãozinho. De repente, Glorinha escutou:

— Acorde, minha filha! Está na hora de ir para a escola!

Abrindo os olhos, Glorinha espreguiçou-se, e lembrou:

— Mamãe! Esta noite eu fui visitar a vovó Ana. Sabe quem estava lá? O meu Fofo! Brincamos, corremos pelo gramado. Ele está curado, mamãe! Ele está bem!

Com os olhos úmidos, a mãe abraçou a filha com amor, agradecendo a Jesus por ter dado o consolo de que Glorinha tanto precisava.

Depois, a mãe perguntou como estava a avó, sua mãe, ao que a menina respondeu:

— Vovó Ana está ótima! Bonita, bem arrumada, e usa sempre o colar que você lhe deu!

Ao ouvir essas palavras, a mãe começou a chorar, emocionada. Glorinha era muito pequena quando a avó voltou para o mundo espiritual, e nunca foi comentado que, como a avó gostasse de um colar que a filha lhe dera, e não se separava dele, resolveram deixá-la com ele.

Essa era a maior prova de que Glorinha realmente se encontrara com a avó Ana e com seu cãozinho — pensou a mãe, elevando o pensamento em gratidão a Jesus por ter atendido seu pedido.

       MEIMEI

(Recebida por Célia X. de Camargo, em 17/02/2014.)