quarta-feira, 23 de julho de 2014

CARINHO E CONFORTO

Que significava aquela afirmação?

Rente a mim, conservava-se tia Eunice, viva e bem disposta.

Não conseguiria manter qualquer dúvida. Não me encontrava mais envolvido na alucinação ou no sonho. Minha consciência estava lúcida.

Intrigava-me, contudo, variadas questões, atormentando-me o raciocínio. Sabia que tuia Eunice já havia morrido desde e muito. E eu? Não me encontrava ali, num quadro natural? Tocava meu próprio corpo, observava paredes e móveis. “Aquilo” seria morrer?

Bastou que eu formulasse tais pensamentos para que ela me sorrisse, bondosa, acrescentando:

- Sim Carlinhos, você permanece agora entre nós, os que já passamos pela sombra do túmulo.

Francamente, senti arrepios de medo, ,as Tia Eunice, longe de magoar-se, observou:

- Tolinho! Por que se acovardar? Não tema.

Tanta serenidade infundiu-me confiança. Contudo, os gritos que eu ouvia perturbavam-me o equilíbrio. Por que motivo escutava semelhantes vozes da mamãe, ali, onde não tinha razão de ser? Imenso mal-estar apoderou-se de mim. Todas as dores, que eu sentia, anteriormente, regressaram ao meu corpo.

Comecei a chorar, convulsivamente.

Tia Eunice, todavia, compreendeu tudo e, dando mostras de saber o que se passava em meu íntimo, acariciou-me, dizendo:

Não se assuste, meu filhinho. As vozes que ouve são realmente da mamãe, que ainda não pode compreender a vida. Você ainda se encontra ligado a ela por vigorosos laços de amor, cheio de apego desvairado e violento. Tenha calma e procure distrair-se.

Quis obedecer à ordem afetuosa, mas não pude. Aqueles apelos que me pareciam chegar de muito longe e minhas ânsia de rever a mamãe querida eram demasiado fortes para que me sentisse libertado num minuto.

Oh! Mas era horrível! Os gritos maternos faziam-se mais altos e mais fortes, dentro de mim, à medida que eu cedia ao desejo de tudo recordar. E, com isso, voltaram-se todos os sofrimentos, um a um: a falta de ar.

Tive a idéia de que recomeçava também minha longa e dolorosa agonia.

Tia Eunice exortou-me a ser forte e pensar na Bondade Divina, de modo a vencer as pesadas impressões do momento, mas debalde.

Após banhar-me a fronte em água fresca, apanhada em vaso próximo, acentuou, carinhosamente:

- Não tenha receio. Temos igualmente devorados médicos por aqui e já mandamos buscar um facultativo para atender-nos.

Aflito e desalentado, comecei a esperar.

(Livro: Mensagens do Pequeno Morto - Psicografia de Francisco C. Xavier - Espírito Neio Lúcio )

segunda-feira, 21 de julho de 2014

DESPERTANDO

Cansado, porém, de interrogações interiores a se repetirem sem resposta, rendi-me aos carinhos de nossa tia e passei à inconsciência completa.

Quanto tempo gastei, nesse sono pesado, sem lembranças?

Não conseguiria responder. Sei somente que despertei, assustado, sem atinar com a situação.

Encontrava-me sozinho, encerrado numa câmara muito limpa e inundada de luz. A solidão infundia-me repentina tristeza; entretanto, semelhante impressão era atenuada pela janela aberta, dando passagem a jorros de intensa luz.

As paredes mostravam pinturas alegres; eu porém, perguntava a mim mesmo se não fora transportado para algum hospital.

Ao longe, através da janela de vastas proporções, via a paisagem desdobrar-se...

O céu azul-radioso parecia mandar-me brisa suave e refrigerante.

Examinei, atenciosamente, em torno. O mobiliário era muito diverso.

Pelas poltronas acolhedoras e divãs convidativos, concluí que a sala era exclusivamente consagrada ao repouso.

Reparei em mim próprio, surpreendido. Teria passado a difteria? O Doutor Martinho conseguira finalmente curar-me? Minha garganta não doía mais. Não fosse a franqueza em que me achava, quase poderia levantar-me e ensaiar alguns passos. Toquei meus cabelos e meus pés.

Que ocorrência me levara a semelhante modificação? Estaria, porventura em casa? Aquele compartimento, porém, me era totalmente desconhecido.

Recordava os últimos quadros que haviam precedido meu grande sono.

Fortemente admirado, recordava-me de suas mínimas particularidades.

E mamãe? Por que não aparecia? onde estava, sem trazer-me o abraço carinhoso de felicitações pela convalescença? Relembrando-lhe a ternura das últimas horas de meu corpo terrestre, experimentei funda saudade, com infinito desejo de chorar. Somente então observei que passara longas horas sem dizer coisa alguma. Minha garganta estaria em condições de auxiliar-me? Tentei a prova e gritei:

- Mamãe! Mamãe!

Logo após uma voz lamentosa ressoou dentro de mim. Bem notei que não registrava com os ouvidos. Parecia nascer de meu próprio coração, dilacerando-o. Era bem a voz de nossa mãezinha, acenando com acento angustioso:

- Carlos! Carlos!... meu filho, volta, volta!...não me abandones!...

Antes que se pudesse refletir sobre a nova situação, abriu-se uma porta próxima, dando passagem à tia Eunice, que aproximou-se de mim, sorridente, e, sentando-se ao meu lado, disse-me, na perfeita compreensão do que me ocorria:

- Não se assuste, Carlinhos! Você está presentemente entre nós.

(Livro: Mensagens do Pequeno Morto - Psicografia de Francisco C. Xavier - Espírito Neio Lúcio)

quarta-feira, 16 de julho de 2014

A Força Animal: A energia de cães e gatos na visão radiestésica

       Embora sejam nossos animais domésticos de estimação, existem pontos divergentes em termos energéticos. Os gatos, felinos apegadíssimos às coisas boas da vida como ambientes confortáveis com muitos tapetes, almofadas e boas camas para o seu aconchego. São limpos, embora necessitem de ambientes higienizados. Gostam de carinho, mas são independentes na maioria das vezes. São ótimos hipinotizadores; isto é, conseguem fixar por muito tempo os olhos naquilo de seu interesse. Transmutam energias com muita facilidade. Como exemplo vou citar um fato acontecido na residência de uma pessoa doente que possui um gato. Este estava sempre ao seu redor, inclusive na cama. Certo dia fiz-lhe uma visita e observei que seu gato roçava-lhe pelo corpo e corria em minha direção, para roçar-me nas pernas e imediatamente voltava para a cama, continuando com aquela esfregação no doente. O que o gato estava fazendo realmente naquele momento, era uma transferência energética de uma pessoa sã para uma doente.
      Outro fato marcante nas casas que possuem gato, é que se alguém chegar com alguma energia ou sentimento ruim, ele sinalizará de alguma forma e poderá até transmutá-la.
      Na Radiestesia, ciência muito utilizada na prospecção d`água no subsolo, na descoberta do sexo de bebês e animais antes do nascimento, na descoberta de animais, objetos e pessoas desaparecidas, e na deteção do tipo de energia ambiental oriunda do subsolo ou de outra fonte telúrica, cósmica ou eletromagnética, classificamos como os animais mais radiestésicos, o jumento e o gato. Você pode observar numa praia nordestina que às vezes, um jumento empaca num ponto permanecendo alguns dias, isto é devido ao local altamente radiestésico que lhe convém. Há casos que o gato prefere dormir  em determinados pontos da casa sem lógica; daí, devemos dar atenção ao fato porque como o jumento, ele prefere os locais com maior incidência de ondas radiestésicas; isto é, boas para ele e ruim para os nós.
      Os gatos são místicos pois no passado, quando as ciências holísticas eram repudiadas, as “bruxas e os magos” (pessoas que detinham o conhecimento da acupuntura, fitoterapia, cromoterapia e outras) muito criticadas pela sociedade da época, tinham sempre o gato preto que por coincidência, estavam juntos com estes profissionais também chamados “rabdomantes” durante os trabalhos. Mais tarde os rabdomantes tiveram sua alforria com a chegada da palavra Radiestesia criada por padres franceses, fazendo com que as técnicas rabdomantes virassem ciência.  Mas o gato continuou sendo classificado por muito tempo como antena energética.
     Em um de meus trabalhos domiciliares, fui surpreendido com um gato que dormia dentro de um guarda-roupas de uma suíte. A princípio achei bizarro porque a família já havia tentado instalar a cama daquele gato em vários pontos da casa, mas seu lugar preferido era dentro daquele armário. Com a ajuda de instrumentos radiestésicos, descobri que sob aquele armário passava uma rede de esgoto abandonada antes da construção e que fora mantida. Esta situação é tão ruim que às vezes, pessoas por se manterem sobre estas áreas por muito tempo, adquirem artroses e até câncer devido às flechas de forma emitidas por um ponto nevráugico como este no subsolo.
     Os cães de pequeno ou grande porte têm a facilidade de serem adestrados com sucesso. Além disso, são muito amigos dos adultos e de crianças. São mais dependentes dos homens que os gatos. São afetivos e protetores de seus donos. Às vezes observamos pessoas mal tratando seus cães, mas mesmo assim eles continuam amigos fiéis.
     Os cães não gostam de locais radiestésicos; isto é, que possuam energias incompatíveis ao ser humano. Daí dizemos que onde o cão escolhe para dormir podemos também dormir com tranquilidade; enquanto os escolhidos pela gato podemos ou não.
    O cão é indiferente se o poder aquisitivo do seu dono é alto ou baixo. O amor e a dedicação da família com ele é o que conta, chegando até a trabalhar como guia para os deficientes visuais.
      Os cães também como os gatos, são suscetíveis às emanações energéticas. Como exemplo, há alguns anos atrás, quando eu fazia atendimentos radiestésicos dentro de minha residência, nosso cão “Kiko” captava de vez em quando a carga energética de alguns consulentes, que o deixava combalido, precisando ser desimpregnado energeticamente  com urgência.
     Em meus trabalhos domiciliares, fico muito feliz quando sou recebido “com festa” pelo cãozinho da casa do cliente. Para mim este fato é importantíssimo, pois sei que estou com boa energia para a realização do trabalho que vou desenvolver.
     Moro recentemente em Itaúna cidade de Saquarema na região dos lagos do Rio de Janeiro e observo em minhas caminhadas pelo bairro, que muitos veranistas abandonam seus cães nas casas que passam semanas e até meses fechadas, muitos sem alimentação e água, além da falta de carinho que o animal precisa. Alguns conseguem o acesso à rua buscando quem os alimente; outros morrem nos cativeiros.
     Que tal repensarmos no assunto, e ajudar estes grandes amigos em qualquer área de veraneio do país?

Dirceu Galhardi Consultoria em Feng Shui, Radiestesia e Cromoterapia

A GRANDE VIAGEM

Ah! Dirceu, não poderia contar-lhe o que então se passou.

O sono sem sonhos durou por apenas algumas poucas horas, porque estranho pesadelo passou a dominar-me inteiramente.

Parecia-me vaguear numa atmosfera obscura e indefinível.

Sentia que mamãe se debruçava sobre mim, pronunciando meu nome, angustiadamente. Observava-lhe as mãos ansiosas, tateando-me o rosto e os cabelos. Ouvia-lhe os gritos de dor, mas debalde procurava acordar e tomar conta de mim próprio.

Sofri muito em semelhantes momentos de incerteza e aflição.

Valeu-me tia Eunice, que me amparava cuidadosamente.

Pouco a pouco, ao mesmo tempo em que me sentia enlaçado nos chamamentos de mamãe, tive a idéia de que uma força superior me arrastava da cama, devagarinho.

Compreendi que me encontrava agarrado a substâncias pegajosas, como o passarinho preso ao visgo. Notei, todavia, que alguém me libertava, despojando-me de um fardo, como acontece ao desfazer-nos da roupa comum...

Desde então... apesar de prosseguir na mesma atmosfera de sonho, não mais senti as mãos de mamãe, mas somente as de tia Eunice, que me aconchegou ao coração.

- “Vamos, Carlinhos!” – ouvi-a, distintamente.

Retiramo-nos para a porta de saída. Nossa tia pareceu-me bastante interessada em afastar-se comigo, apressadamente.

Lá fora, o luar deslumbrava. Respirei o ar perfumado e fresco da noite, como quem recebia verdadeira benção celestial.

Haviam decorrido tantos dias que me esforçava sem melhoras!

Tia Eunice carregava-me nos braços, carinhosamente, como se eu fora pequenina criança. Contudo, embora não conseguisse coordenar meus pensamentos com exatidão, espantei-me ao reconhecer que nos afastávamos do solo.

Embalado pela caricia do vento brando, não sabia que mais admirar – se a melhora que sobreviera, de súbito, se a beleza da noite, embalsamada de aroma e maravilhosa de luz.

Meu contentamento não tinha limites. Estava fraco, vencido, incapaz de falar alguma coisa, mas sentia-me transportado da Terra para uma desta nas estrelas.

De quando em quando, Tia Eunice pousava em mim os olhos doces e amigos e eu sorria em resposta, contente e agradecido pela benção de respirar sem cansaço e sem dor.

Os caminhos aéreos, repletos de luar, surpreendiam-me os olhos espantados.

Então, as impressões de sonho foram mais nítidas em mim.

Estava certo de que tudo não passava de fantasia e de que tornaria a casa, despertando, novamente, no leito habitual.

(Livro: Mensagens do Pequeno Morto - Psicografia de Francisco C. Xavier - Espírito Neio Lúcio)

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O SONO BOM

Surpreendido, notava que nenhum de vocês fazia caso da presença de tia Eunice, dando-me a impressão de que não na viam; e até o doutor Martinho, que lhe ficava defronte, mostrava absoluta indiferença;

Ela, contudo, não estava menos satisfeita por isso.

Após acomodar-se à cabeceira, nossa tia posou a mão macia sobre a minha cabeça e grande alívio me banhou o coração.

Tive a idéia de que raios de sol me penetravam o corpo em desalento.

Não pude conversar como desejava, mas não consegui pensar mais claramente. Desviei a atenção que concentrava na garganta dorida e raciocinei sem maior aflição.

Estaria menos mal? A morte permaneceria rondando-me o leito? Que aconteceria nos próximos minutos?

Quis endereçar algumas perguntas à Tia Eunice, explicando-lhe, ao mesmo tempo, que sentia imenso receio de morrer; todavia, meus lábios estavam quase imóveis.

Ela, porém, segundo minha observação, percebeu, de pronto, o que me passava pelo cérebro.

Sorriu-me, bondosamente, e disse:

- Você, na verdade, acredita que alguém possa desaparecer para sempre? Não creia em semelhante ilusão... É preciso tranquilizar-se. Afinal de contas, os dias de dor e as noites de insônia têm sido numerosos.

- Sorriu, com ternura mais acentuada, inspirando-me profunda confiança, e tornou a dizer:

- É necessário que você durma sossegado, sem qualquer inquietação.

E como eu lhe ouvisse os conselhos, acrescentou:

- Descanse, Carlinhos! Ceda, sem temor, à influência do sono. Velarei por você...

Em seguida, passou a mão direita, de leve e repetidamente, sobre a minha cheia de feridas. A transformação que experimentei foi completa. Acreditei que me estivesse aplicando deliciosa compressa de alívio. As dores que me atormentavam, havia tanto tempo, cederam, pouco a pouco.

Indizível tranquilidade dominou-me, por fim. Entreguei-me, confiante, aos carinhos de Tia Eunice, como me abandonava, comumente, à ternura de mamãe.

Logo após, a mão dela, carinhosa e boa, afagou-me o roto banhado de suor, detendo-se docemente sobre minhas pálpebras...

Tentei, ainda, olhar para você; todavia, não pude.

A visitante inesperada cerrou-se os olhos, com brandura, e acentuou:

- Durma, Carlinhos! Você está cansado...

Nada respondi com a boca; entretanto, concordei mentalmente, agradecido e reconfortado.

Tia Eunice observou-me a silenciosa de satisfação, porque, nesse instante, curvou-se e beijou-me.

Recordei-me, então, do beijo de mamãe, cada noite, e, em vista do alívio que eu sentia, entreguei-me finalmente ao sono bom.

(Livro: Mensagens do Pequeno Morto - Psicografia de Francisco C. Xavier - Espírito Neio Lúcio)

quarta-feira, 9 de julho de 2014

TIA EUNICE

Em vão procurava no rosto de vocês uma expressão de tranqüilidade e bom ânimo.

Daria tudo para que sorrissem, desfazendo-me o pavor. Entretanto, estavam todos consternados, chorosos...

Esperei que o Doutor Martinho me encorajasse, assegurando que tudo se resumia numa crise passageira, mas nosso, bondoso médico examinava-me o pulso, sem disfarçar a tristeza que lhe dominava a alma.

Em razão disso, o medo de morrer cresceu muito mais fortemente em meu espírito.

Quando tudo me parecia irremediável, eis que alguma coisa sucedeu, chamando-me a atenção. Leve ruído despertara-me a curiosidade.

Desviei meu olhar para a parta de entrada e reparei que aí surgiam, de maneira inexplicável, delicados flocos de substância fosforescente.

Esses pontos de luz como que formava fino manto de gaze tenuíssima, sob o qual tive a impressão de que alguém se movimentava...

Seguia a novidade, com enorme espanto, quando apareceu, rasgando a leve cortina, uma jovem de belo porte que não tive dificuldade em reconhecer.

Era a mesma do grande retrato que mamãe conservava em casa. Era a tia Eunice, a irmãzinha dela, que morreu quando nós dois éramos pequeninos.

Trajava um vestido de cor verde-claro, enfeitado de rendas luminosas. Cercava-se, principalmente ao longo do tórax e da cabeça, de lindos clarões de luz azulada, como se trouxesse uma lâmpada oculta. Seus olhos escuros irradiavam simpatia e bondade sem limites.

Tia Eunice entrou pelo quarto a dentro com grande surpresa para mim, abraçou mamãe, sem que mamãe a visse, e, depois, sentou-se ao meu lado, dizendo:

- Então, Carlinhos, você é tão valente, está medroso agora?

Se fosse noutra ocasião, penso que não me comportaria bem, porque sempre ouvira dizer que os mortos são fantasmas e nossa tia já era morta. Achava-me, porém, tão aflito que experimentei grande consolação com as palavras encorajadoras que me dirigia. Necessitava de alguém que me reanimasse.

Reparava o nervosismo do papai, as lágrimas da mamãe, a tristeza e o abatimento doutor Martinho, ao meu lado, e concluí que as boas disposições dela eram providenciais para mim.

Em verdade, nos bons tempos de saúde, ouvira estranhas histórias de “assombrações do outro mundo”, que me deixavam impressionado, sem sono, mas tia Eunice não podia inspirar medo a ninguém. Estava linda e risonha, enchendo-me de confiança e otimismo.

Senti-me, pois, reanimado, embora reconhecendo a desagradável rigidez de meu corpo, que não conseguia mover, nem de leve.

(Livro: Mensagens do Pequeno Morto - Psicografia de Francisco C. Xavier - Espírito Neio Lúcio)

segunda-feira, 7 de julho de 2014

IMPRESSÕES DO ULTIMO DIA TERRESTRE

Meu caro Dirceu:

Escrevo-lhe esta carta para dizer que não morri. Jamais supus me fosse possível endereçar notícias a você, depois de afastar-me do corpo terrestre. Algumas vezes, vira o enterro de crianças e pessoas grandes, da janela grande de nosso quarto, quando observávamos, em silêncio, o carro triste, enfeitado de flora, conduzindo alguém que nunca voltava...

Recorda-se da morte de Osório, o nosso colega do grupo escolar? Nunca me esqueci do quadro enternecedor. Dona Margarida, a mãezinha em lágrimas, conduziu-nos a vê-lo. Osório, brincalhão e bondoso, estava mudo e gelado. Parecia dormir, imóvel sob um montão de rosas e saudades.

Quando ouvi dizer que ele jamais voltaria, meu coração bateu forte e empalideci.

Nosso velho Tomás, o porteiro da escola que assistia à cena, percebeu o que se passava e afastou-me depressa.

Nesse dia, não comi e passei a noite assustado. Atormentei o papai com toda a espécie de perguntas sobre a morte e arrepiava-me todo, recebendo-lhe as respostas. Por fim, ele reconheceu a minha inquietação e aconselhou-me a evitar o assunto.

Muito tempo passou, mas a experiência ficou guardada no meu coração.

Foi por isso, talvez, que fiquei, durante o período de minha enfermidade, impaciente e aflito.

E, para falar francamente a você, tive medo, muito medo, ao perceber que tudo ia acabar-se, pois sempre ouviria dizer que a morte do corpo é o fim de todas as coisas.

Agora, porém, posso afirmar que isso não é verdade.

Lembra-se do último dia que passei em casa?

Mamãe chorava tanto!...

Papai, muito sério, ia de um lado para outro, na sala contígua ao nosso quarto.

O Doutor Martinho, nosso bom amigo, segurava-me as mãos, e você, Dirceu, sentado na poltrona de vovó, olhava-me ansioso e entristecido.

Quis falar, mas não pude. Estava cansado sem saber o motivo. Faltava-me o ar, como se eu fosse um peixe fora d’água. Esforçava-me para dizer alguma coisa, pelo menos para tranqüilizar a mamãe; entretanto, havia um peso enorme, oprimindo-me a garganta e a boca.

Foi então que parei meu olhar em seus olhos e chorei muito, com receio de ficar mudo e gelado como o Osório, e partir para nunca mais regressar.

Não consegui mover os lábios, mas, em pensamento, rezei as orações que mamãe me ensinara. Lembrei-me de Deus e esperei o sono com indizível angústia...

Queria dormir, dormir muito, no entanto, era tão grande o meu temor de dormir sem acordar, que, se eu pudesse, teria gritado intensamente, com toda a força de meus pulmões, pedindo ao Doutor Martinho que não me deixasse morrer.

(Livro: Mensagens do Pequeno Morto - Psicografia de Francisco C. Xavier - Espírito Neio Lúcio)

sexta-feira, 4 de julho de 2014

MENSAGEM

Carlos é um rapazinho de seus catorze anos, que a morte arrebatou muito cedo à esfera física.

Recentemente internado em nossos cursos de reajustamento psíquico e preparação espiritual, revelou, desde há primeira hora, notável aplicação ao estudo e ao esforço renovador.

Dentre as preocupações mais fortes que lhe caracterizam o espírito, destaca-se o propósito de algo enviar ao irmão de nome Dirceu, inesquecido e afetuoso companheiro do teto familiar. Para isso, escreveu a mensagem que oferecemos ao jovem leitor, através da qual nosso dedicado amiguinho buscou descrever as paisagens e as emoções novas que experimentou logo após a morte do corpo físico.

È um trabalho simples, em que o coração juvenil fala mais alto que o raciocínio propriamente humano e que, por isso mesmo, não deveria circunscrever-se ao campo exclusivo do destinatário.

Por semelhante motivo, dedicamos estas páginas singelas aos nossos irmãos mais jovens. Que eles possam colher nesta mensagem carinhosa e fraterna os conhecimentos valiosos do presente, para as construções do futuro, são os nossos votos.

(Pedro Leopoldo, 27 de julho de 1946. Livro: Mensagens do Pequeno Morto, Neio Lúcio, Psicografia de Francisco C. Xavier.)

terça-feira, 8 de abril de 2014

Visitando a vovó

Glorinha gostava muito de animais, especialmente de cachorros. Vivia sempre pedindo aos pais que lhe dessem um cãozinho.

Certo dia, ela pediu tanto, que seu pai disse:

— Tem certeza de que deseja um cachorrinho, filha?

De olhos brilhantes e mãos postas, a menina respondeu:

— Sim, sim, Papai! Meu aniversário está se aproximando. Posso pedir um cãozinho de presente?

Os pais trocaram um olhar, depois a mãe concordou:

— Está bem, Glorinha. Desde que você prometa que vai cuidar bem dele. Você sabe, os animais dão trabalho: não pode faltar água, ração na hora certa, e o banho semanal; se ficar doente tem que dar remédio. Ah! E não pode deixar o portão aberto, senão ele foge.    

A menina vibrava de alegria, concordando com tudo.

— Sim, mamãe. Farei tudo direitinho, prometo!

Então, certo dia, quando Glorinha acordou, ouviu um barulho diferente embaixo de sua cama. Virou de cabeça para baixo e viu o cãozinho mais lindo que se poderia imaginar!

Cheia de alegria, pegou-o no colo e correu para a cozinha onde a mãe preparava o café da manhã. Os pais, que já a esperavam, sorriram.

— Ele é lindo! Obrigada, papai! Obrigada, mamãe! Ele é muito fofo! Pois vou chamá-lo de Fofo!

Daquele dia em diante, a vida de Glorinha mudou. Ela estava sempre cuidando de Fofo. Logo cedo lhe dava a ração e enchia a vasilha de água. Nos finais de semana, não se esquecia do banho, que ele adorava.

Assim, cresciam o cãozinho e sua dona.

Certo dia, dois anos depois, Fofo amanheceu quieto, sem vontade de comer e de brincar. A menina, preocupada, falou com seus pais, que disseram:

— Não deve ser nada. Logo passa. 

Mas, no dia seguinte, Fofo continuou quieto, não comia, não queria brincar. Foi levado ao veterinário, que passou a medicação que deveria ser dada ao cãozinho.

No entanto, ele só piorava. Até que, um dia, Fofo não acordou mais. Glorinha chorou muito, agarrada ao seu amiguinho de brincadeiras.

Como o terreno da casa fosse grande, enterraram Fofo no fundo do quintal, onde Glorinha colocou os brinquedos de que ele mais gostava, justificando:

— É para o Fofo brincar, se tiver vontade.

Triste e desconsolada, Glorinha nem brincava mais. Só ia para a escola e, na volta, ficava em seu quarto, deitada.

Preocupados, os pais pediam a Jesus que amparasse a filha, ainda tão pequena, para que ela superasse a dor da perda do seu amiguinho cão.

Até que, um dia, Glorinha sonhou que foi visitar sua avó, já no mundo espiritual.

Recebida com muita alegria pela vovó Ana, que a abraçou satisfeita, Glorinha disse:

— Que bom, vovó! Não sabia que você estava num lugar tão lindo! Quantas árvores, quantas flores! Onde vai dar este caminho?

— Na minha casa. Venha! Tenho uma surpresa para você, Glorinha.

Chegando perto da casa, a menina viu um cãozinho que corria ao seu encontro. Sem poder acreditar, ela arregalou os olhos:

— Mas é o meu Fofo!...

O cachorrinho latia feliz vendo sua dona, que o pegou no colo, radiante de felicidade, enquanto ele lambia seu rosto. Depois, chorando de alegria, Glorinha olhou para a avó:

— Vovó Ana, como Fofo veio parar aqui?...

Sentaram-se num banco, à sombra de uma árvore, e a vovó explicou:

— Você sabe que não existe a morte, não é? Todos continuam vivendo! Então, como você estava muito triste, querida, pedi a Jesus para que eu pudesse cuidar do seu cãozinho para você. Assim, ele está comigo desde que veio para cá.

Glorinha abraçou a avó, agradecendo-lhe por estar cuidando do seu cãozinho. De repente, Glorinha escutou:

— Acorde, minha filha! Está na hora de ir para a escola!

Abrindo os olhos, Glorinha espreguiçou-se, e lembrou:

— Mamãe! Esta noite eu fui visitar a vovó Ana. Sabe quem estava lá? O meu Fofo! Brincamos, corremos pelo gramado. Ele está curado, mamãe! Ele está bem!

Com os olhos úmidos, a mãe abraçou a filha com amor, agradecendo a Jesus por ter dado o consolo de que Glorinha tanto precisava.

Depois, a mãe perguntou como estava a avó, sua mãe, ao que a menina respondeu:

— Vovó Ana está ótima! Bonita, bem arrumada, e usa sempre o colar que você lhe deu!

Ao ouvir essas palavras, a mãe começou a chorar, emocionada. Glorinha era muito pequena quando a avó voltou para o mundo espiritual, e nunca foi comentado que, como a avó gostasse de um colar que a filha lhe dera, e não se separava dele, resolveram deixá-la com ele.

Essa era a maior prova de que Glorinha realmente se encontrara com a avó Ana e com seu cãozinho — pensou a mãe, elevando o pensamento em gratidão a Jesus por ter atendido seu pedido.

       MEIMEI

(Recebida por Célia X. de Camargo, em 17/02/2014.)

quinta-feira, 20 de março de 2014

USUFRUTO E PACIÊNCIA

Ante as leis da Terra, a propriedade, pertença ao grupo social ou ao indivíduo, é sempre credora de respeito; entretanto, perante a Criação Divina, a idéia do usufruto é grande fator de paciência ao coração.

Se raciocinas em termos de vida eterna, lembrar-te-ás, decerto, que os teus mais valorosos ascendentes vieram à Terra, desfrutaram-lhe os bens e voltaram à Espiritualidade que se nos faz o campo de origem.

Reflete nisso par que os abalos da desvinculação no mundo não te comprometam equilíbrio e saúde.

Os entes mais queridos buscaram-te a companhia ou buscaste a companhia deles, no entanto, surgirá o momento em que se despedirão de ti ou no qual te despedirás deles, sob os imperativos das leis de mudança construtiva, conquanto o amor permanece intacto, prenunciando as alegrias do reencontro.

Os bens que, porventura, reuniste se transferirão de teu nome para outros, sejam esses familiares que se te ligam na consangüinidade ou companheiros diferentes que te conferirão continuidade ao trabalho.

Poder que detenhas, por muito se te demore nas mãos, passará para mãos alheias, considerando-se as transformações inevitáveis.

Influência que possuas cederá com o tempo.

Determinadas faculdades da inteligência, tê-las-ás no Plano Físico, enquanto puderes sustentar-te em corpo relativamente robusto, à maneira do violinista que apenas se manterá em alta forma, enquanto conseguir dispor da integridade do instrumento.

Atentos à realidade de que todos usufruímos recursos que, na essência, não nos pertencem, estejamos alertas, amando sem possessão e servindo sem apego.

Considera a posição de usufrutuário em que te encontras na experiência terrestre e sejam quais forem as circunstâncias adversas em que te vejas no mundo, a paciência não te faltará.

Livro: CALMA -  FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER  (EMMANUEL)