terça-feira, 8 de abril de 2014

Visitando a vovó

Glorinha gostava muito de animais, especialmente de cachorros. Vivia sempre pedindo aos pais que lhe dessem um cãozinho.

Certo dia, ela pediu tanto, que seu pai disse:

— Tem certeza de que deseja um cachorrinho, filha?

De olhos brilhantes e mãos postas, a menina respondeu:

— Sim, sim, Papai! Meu aniversário está se aproximando. Posso pedir um cãozinho de presente?

Os pais trocaram um olhar, depois a mãe concordou:

— Está bem, Glorinha. Desde que você prometa que vai cuidar bem dele. Você sabe, os animais dão trabalho: não pode faltar água, ração na hora certa, e o banho semanal; se ficar doente tem que dar remédio. Ah! E não pode deixar o portão aberto, senão ele foge.    

A menina vibrava de alegria, concordando com tudo.

— Sim, mamãe. Farei tudo direitinho, prometo!

Então, certo dia, quando Glorinha acordou, ouviu um barulho diferente embaixo de sua cama. Virou de cabeça para baixo e viu o cãozinho mais lindo que se poderia imaginar!

Cheia de alegria, pegou-o no colo e correu para a cozinha onde a mãe preparava o café da manhã. Os pais, que já a esperavam, sorriram.

— Ele é lindo! Obrigada, papai! Obrigada, mamãe! Ele é muito fofo! Pois vou chamá-lo de Fofo!

Daquele dia em diante, a vida de Glorinha mudou. Ela estava sempre cuidando de Fofo. Logo cedo lhe dava a ração e enchia a vasilha de água. Nos finais de semana, não se esquecia do banho, que ele adorava.

Assim, cresciam o cãozinho e sua dona.

Certo dia, dois anos depois, Fofo amanheceu quieto, sem vontade de comer e de brincar. A menina, preocupada, falou com seus pais, que disseram:

— Não deve ser nada. Logo passa. 

Mas, no dia seguinte, Fofo continuou quieto, não comia, não queria brincar. Foi levado ao veterinário, que passou a medicação que deveria ser dada ao cãozinho.

No entanto, ele só piorava. Até que, um dia, Fofo não acordou mais. Glorinha chorou muito, agarrada ao seu amiguinho de brincadeiras.

Como o terreno da casa fosse grande, enterraram Fofo no fundo do quintal, onde Glorinha colocou os brinquedos de que ele mais gostava, justificando:

— É para o Fofo brincar, se tiver vontade.

Triste e desconsolada, Glorinha nem brincava mais. Só ia para a escola e, na volta, ficava em seu quarto, deitada.

Preocupados, os pais pediam a Jesus que amparasse a filha, ainda tão pequena, para que ela superasse a dor da perda do seu amiguinho cão.

Até que, um dia, Glorinha sonhou que foi visitar sua avó, já no mundo espiritual.

Recebida com muita alegria pela vovó Ana, que a abraçou satisfeita, Glorinha disse:

— Que bom, vovó! Não sabia que você estava num lugar tão lindo! Quantas árvores, quantas flores! Onde vai dar este caminho?

— Na minha casa. Venha! Tenho uma surpresa para você, Glorinha.

Chegando perto da casa, a menina viu um cãozinho que corria ao seu encontro. Sem poder acreditar, ela arregalou os olhos:

— Mas é o meu Fofo!...

O cachorrinho latia feliz vendo sua dona, que o pegou no colo, radiante de felicidade, enquanto ele lambia seu rosto. Depois, chorando de alegria, Glorinha olhou para a avó:

— Vovó Ana, como Fofo veio parar aqui?...

Sentaram-se num banco, à sombra de uma árvore, e a vovó explicou:

— Você sabe que não existe a morte, não é? Todos continuam vivendo! Então, como você estava muito triste, querida, pedi a Jesus para que eu pudesse cuidar do seu cãozinho para você. Assim, ele está comigo desde que veio para cá.

Glorinha abraçou a avó, agradecendo-lhe por estar cuidando do seu cãozinho. De repente, Glorinha escutou:

— Acorde, minha filha! Está na hora de ir para a escola!

Abrindo os olhos, Glorinha espreguiçou-se, e lembrou:

— Mamãe! Esta noite eu fui visitar a vovó Ana. Sabe quem estava lá? O meu Fofo! Brincamos, corremos pelo gramado. Ele está curado, mamãe! Ele está bem!

Com os olhos úmidos, a mãe abraçou a filha com amor, agradecendo a Jesus por ter dado o consolo de que Glorinha tanto precisava.

Depois, a mãe perguntou como estava a avó, sua mãe, ao que a menina respondeu:

— Vovó Ana está ótima! Bonita, bem arrumada, e usa sempre o colar que você lhe deu!

Ao ouvir essas palavras, a mãe começou a chorar, emocionada. Glorinha era muito pequena quando a avó voltou para o mundo espiritual, e nunca foi comentado que, como a avó gostasse de um colar que a filha lhe dera, e não se separava dele, resolveram deixá-la com ele.

Essa era a maior prova de que Glorinha realmente se encontrara com a avó Ana e com seu cãozinho — pensou a mãe, elevando o pensamento em gratidão a Jesus por ter atendido seu pedido.

       MEIMEI

(Recebida por Célia X. de Camargo, em 17/02/2014.)

quinta-feira, 20 de março de 2014

USUFRUTO E PACIÊNCIA

Ante as leis da Terra, a propriedade, pertença ao grupo social ou ao indivíduo, é sempre credora de respeito; entretanto, perante a Criação Divina, a idéia do usufruto é grande fator de paciência ao coração.

Se raciocinas em termos de vida eterna, lembrar-te-ás, decerto, que os teus mais valorosos ascendentes vieram à Terra, desfrutaram-lhe os bens e voltaram à Espiritualidade que se nos faz o campo de origem.

Reflete nisso par que os abalos da desvinculação no mundo não te comprometam equilíbrio e saúde.

Os entes mais queridos buscaram-te a companhia ou buscaste a companhia deles, no entanto, surgirá o momento em que se despedirão de ti ou no qual te despedirás deles, sob os imperativos das leis de mudança construtiva, conquanto o amor permanece intacto, prenunciando as alegrias do reencontro.

Os bens que, porventura, reuniste se transferirão de teu nome para outros, sejam esses familiares que se te ligam na consangüinidade ou companheiros diferentes que te conferirão continuidade ao trabalho.

Poder que detenhas, por muito se te demore nas mãos, passará para mãos alheias, considerando-se as transformações inevitáveis.

Influência que possuas cederá com o tempo.

Determinadas faculdades da inteligência, tê-las-ás no Plano Físico, enquanto puderes sustentar-te em corpo relativamente robusto, à maneira do violinista que apenas se manterá em alta forma, enquanto conseguir dispor da integridade do instrumento.

Atentos à realidade de que todos usufruímos recursos que, na essência, não nos pertencem, estejamos alertas, amando sem possessão e servindo sem apego.

Considera a posição de usufrutuário em que te encontras na experiência terrestre e sejam quais forem as circunstâncias adversas em que te vejas no mundo, a paciência não te faltará.

Livro: CALMA -  FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER  (EMMANUEL)

quarta-feira, 19 de março de 2014

TÓPICOS DA IRRITAÇÃO

Se a irritação já se te fez um hábito, pensa nas desvantagens dela para que te livres de semelhante desajuste espiritual.

Ora, pedindo à Divina Providência a força precisa a fim de que te resguardes na tolerância.

Imagina o azedume como sendo um espinheiro magnético, arremessando raios de energia destruidora em todas as direções.

A intemperança mental nunca auxilia a ninguém.

Uma frase carregada de aspereza, na maioria dos casos, pode ser figurada como sendo murro no rosto das melhores oportunidades que te procuram.

Ânimo violento apenas agrava situações e complica problemas.

O costume de enraivecer-se é um predisponente a moléstias de trato difícil.

Condenação não edifica.

Ainda que o coração se te mostre ferido, conversa com serenidade e esclarece com paciência.

Um gesto de gentileza opera prodígios.

Livro: CALMA -  FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER  (EMMANUEL)

SOFRENDO REPROVAÇÕES

Estarás, possivelmente, sofrendo reprovações que te pareceram injusto espancamento espiritual.

Inicialmente adota o silêncio sem fazer comentários.

Ora, pedindo inspiração à Divina Providência.

Se não tens culpa alguma em relação aos erros que te foram atribuídos,não dês resposta alguma e continua nas tarefas que a vida te confiou, desculpando quaisquer ofensas.

Se as críticas sofridas guardam algum fundamento, procura analisar o próprio comportamento em referência ao assunto.

Agradece em pensamento aos teus censores, procurando retificar os pontos nos quais te observes em desacerto.

Nada reclames contra quem te aponte a verdade, porquanto se agem com exagero contra os enganos de que, porventura, te inculpes, a vida se incumbirá de esclarecê-los em momento oportuno.

Não te defendas nem acuses a ninguém perante censuras recebidas.

Continua trabalhando com sinceridade, cortando as atitudes que desaproves em ti mesmo.

Se te notares no centro de culpas, pelas quais te sintas inegavelmente responsável, prossegue agindo e servindo, quanto possível, mesmo assim, na certeza de que todos somos filhos de Deus e que Deus te concederá recursos e abrirá caminhos novos pra que a paz de consciência te retome a vida e ilumine o coração.

Livro: CALMA -  FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER  (EMMANUEL)

terça-feira, 18 de março de 2014

SILENCIA E ESPERA

No tumulto das inquietações da Terra, é provável encontres igualmente os desafios que se erigem por testes de compreensão e serenidade, no caminho de tantos companheiros de experiência.

Quanto possível, habitua-te a entesourar paciência, com a qual disporás de suficientes recursos para adquirir as forças espirituais de que necessitarás, talvez, para a travessia de grandes provas, sem risco de soçobro nas correntes do desespero.

Provavelmente ainda agora estarás suportando a incompreensão de pessoas queridas, em forma de prevenções e censuras indébitas; entretanto, se o assunto diz respeito unicamente ao teu brio pessoal, cala-te e espera.

Se amigos de ontem transformara-se em adversários de tuas melhores intenções, tolera as zombarias e remoques de que te vês objeto e de nada te queixes.

Diante de criaturas que te golpeiem conscientemente a vida, impondo-te embaraços e desilusões, desculpa e esquece, renovando os próprios pensamentos na direção dos objetivos superiores que pretendas alcançar.

E ainda mesmo que agressões e ofensas te firam nos recessos da alma, sugerindo-te duros acertos de conta, à face da manifesta injustiça com que te tratem, não passes recibo nas afrontas que te sejam endereçadas e nada reclames em teu favor.

Não piores situações em que alguém te coloque, não te revoltes, nem te lastimes.

Silencia e espera, porque Deus e o Tempo tudo esclarecem, restabelecendo a verdade, e, para que os irmãos enganados ou enrijecidos na ignorância se curem das ilusões e das crueldades a que se entregam, bastar-lhes-á simplesmente viver.

Livro: CALMA -  FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER  (EMMANUEL)

segunda-feira, 17 de março de 2014

SERENIDADE E PACIÊNCIA

No sentido de preservar a própria paz, é indispensável nos disponhamos a manter criteriosa atenção sobre nós mesmos.

O conflito de resultados inavaliáveis pode surgir da explosão de sentimentos descontrolados; entretanto, não se obtém a paz sem esforço.

Quem acredite no imaginário valor da  desinibição despropositada, no intuito de garantir o equilíbrio próprio, observe a força elétrica desorientada ou o trânsito sem disciplina.

Ninguém possui uma serenidade que não construiu. Daí, o impositivo da vigilância em nós próprios.

Não se trata de prevenção contra ninguém e sim de auto-governo.

Para semelhante realização, ser-nos-á justo enfileirar certas obrigações primordiais que se nos mostram por alicerces da consciência tranqüila.

Compreendamos que somos colocados, uns à frente dos outros, a fim de aperfeiçoar-nos.

Abracemos as iniciativas de concórdia sem esperar que determinadas pessoas venham a promovê-las.

Pelos erros alheios que claramente nos  preocupem, examinemos os nossos com a sincera resolução de corrigi-los.

Não nos aborreçamos com o trabalho que a vida nos confia, de vez que, através dele, é que atingiremos a promoção justa na escala de valores da vida.

Nunca nos esqueçamos de que a eficiência não se harmoniza com a pressa, mas não se fará vista sem apoio da diligência.

Convém lembrar que os nossos ouvidos podem ser transformados em extintores do mal, todas  as vezes em que o mal nos procure.

Aceitemos a realidade de que o próximo não tem a nossa formação e saibamos respeitar cada  criatura na posição em que se encontre.

Em suma, a serenidade não é uma aquisição espiritual que se faça em toque de mágica e sim, através do trabalho, muitas vezes, duro e áspero da paciência em ação.

Livro: CALMA -  FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER  (EMMANUEL)

sexta-feira, 14 de março de 2014

SEGURANÇA ÍNTIMA

Ante os impactos emocionais do cotidiano, estimarias construir a segurança íntima, a fim de que a serenidade se te faça constante cidadela defensiva e podes, indiscutivelmente, construir semelhante refúgio.

Inicia a edificação da própria paz, observando que todos necessitamos pensar por nós mesmos, embora sabendo que somos influenciáveis pelas idéias alheias.

Aceitando-nos na condição de parcelas da imensa família humana, verificaremos que as nossas dificuldades não são maiores que as dos outros.

Integrando a comunidade terrestre, suscetível de adotar numerosos enganos em razão do aprendizado em que nos encontramos, somos impelidos a entender que não estamos isentos de cometer determinados erros e que isso é compreensível, à maneira do sinal vermelho, no trânsito comum, convidando-nos a parar, de modo a seguirmos adiante, em espaço imune de riscos.

Alertados pelo impositivo de atender ao caminho que nos seja próprio, aprenderemos que a estrada dos entes mais queridos pode ser muito  diferente da nossa.

Admitindo cada criatura por transeunte ou viajor no carro da própria existência, saberemos zelar por nossas diretrizes, sem interferir na condução do próximo.

Partilhando a realidade de todos, ser-nos-á fácil reconhecer que, os contratempos que nos ocorram, talvez igualmente aconteçam na marcha dos seres que amamos, competindo-nos auxilia-los, tanto quanto desejamos ser auxiliados na solução de nossos problemas.

A convicção de que todos nos achamos em caminho, buscando realizações mais ou menos idênticas entre si, sob riscos análogos, nos podará qualquer impressão de privilégio, à frente dos companheiros da Humanidade, com os quais precisamos estar em paz, na garantia da própria segurança.

Reflete nisso e concluirás que esse ou aquele viajor no mundo tem necessidade de proteger a viatura que lhe diga respeito, de maneira a não suscitar desastres  que ameacem aos outros e a si mesmo.

A serenidade habitará conosco, na Terra, quando aí compreenderemos que toda criatura irmã tem o seu próprio corpo, com os sonhos, compromissos, realizações e iniciativas a que se associe, o que nos afastará dos julgamentos precipitados e das condenações indébitas, para que estejamos em plena vivência da regra áurea, cuja prática é o coração da felicidade a fim de que estejamos na felicidade do coração.

Livro: CALMA -  FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER  (EMMANUEL)

quinta-feira, 13 de março de 2014

RUSGAS DOMÉSTICAS

De pequena rusga doméstica pode nascer extensa caudal de rixas e aversões.

Aprender a ouvir sem contradizer, para aclarar qualquer ponto obscuro em momento adequado, é sinal evidente de compreensão e sabedoria.

Auxilia à criança, não apenas a sorrir, mas também a se educar.

Respeitar os parentes do coração, que se nos ligam nas experiências terrestres, é valioso preservativo contra desajustes positivamente desnecessários.

Evita criticar essa ou aquela minudência menos agradável no ambiente caseiro, cooperando em silêncio para que os senões desapareçam.

Nada censures, colaborando para que os problemas sejam resolvidos sem alterações e reproches.

Silenciar sobre questões nevrálgicas em família impede a explosão de conversas ofensivas ou inúteis.

Não revivas os mal-entendidos de ontem ou de qualquer fase do passado, para que faltas e erros no lar sejam realmente esquecidas.

Aprendamos a não gritar e sim conversemos.

Não te esqueças: a união começa de casa, mas a calma geral começa em ti mesmo.

Livro: CALMA -  FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER  (EMMANUEL)

RIQUEZA PREMATURA

Desapareceram documentos e objetos de valor que talvez te abastecessem de recursos materiais para muito tempo.

Perdeste a oportunidade de garantir uma pensão sólida nos dias do futuro em que teu corpo, talvez, não mais te auxiliasse a trabalhar pela própria manutenção, unicamente em face da desatenção  de alguém ou porque a memória não te auxiliasse a recordar minudências alusivas ao assunto.

Não te permitas destrambelhar o pensamento por isso.

Possivelmente amigos espirituais, zelosos e atentos, te houvessem auxiliado a perder essas vantagens em teu próprio benefício.

Indaga de ti, se estarias efetivamente em condições de trabalhar, caso estivesses com a vida escorada no dinheiro excessivo.

Medita na situação dos parentes aos quais talvez o excesso de recursos financeiros afastasse da obrigação de servir, com a agravante de induzi-los aos perigos da ociosidade dourada.

Recorda aqueles a quem a despreparação para conservar o dinheiro e administrá-lo situou em ruinosa segregação ante o medo de perder a suposta superioridade em que passariam a viver.

Pensa nos avanços indébitos da inveja e do despeito sobre os teus dias, por parte daqueles que ainda não aprenderam a respeitar a vida dos semelhantes, caso mantivesses a fortuna fora da circulação e do trabalho, sem utilidade para ninguém.

Lembra as discórdias e demandas de testamentos e inventários, promovidos por teus próprios descendentes, na hipótese da tua morte inesperada, ante os bens materiais que, porventura, deixasses sem justa e proveitosa destinação.

Aceita a vida laboriosa que Deus te concedeu, reconhecendo que a fortuna estará em tuas mãos quando souberes dirigi-la, sem permitir que ela te escravize.

Livro: CALMA -  FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER  (EMMANUEL)

quarta-feira, 12 de março de 2014

RELACIONAMENTO

Se dificuldades e provações te visitam, no relacionamento com o próximo, não te permitas requentar mágoas no coração.

Deixa que a confiança na Sabedoria Divina te dissipe qualquer sombra do pensamento, lembrando o Sol a desfazer nuvens diariamente para vitalizar e revitalizar os processos da vida.

Para isso, é imperioso que a compreensão te presida os impulsos. E a compreensão te fará saber que os outros são criaturas autônomas, gravitando sempre na direção de objetivos diferentes dos teus.

A certeza disso te livrará da solidão negativa, capaz de induzir-te a desânimo e desespero.

A verdade nos ensina que ninguém realiza o bem e nem caminha para o bem, sem os outros, mas porque isso aconteça, ninguém pode exigir que os outros lhe carreguem a existência, nas sendas a percorrer.

Os outros serão nossos cooperadores, intérpretes, associados e companheiros, enquanto isso se lhes faça possível, ocorrendo o mesmo conosco, em relação a eles.

À vista disso, ama aos amigos sem prendê-los.

Esse terá sido o sustentáculo de tuas esperanças, por muito tempo; entretanto, é possível surja um dia em que não consiga permanecer inteiramente ao teu lado, em face de novas tarefas que lhe despontam na senda.

Outro te entendia os propósitos, até ontem; no entanto, experiências, que se lhe fizeram necessárias, alteraram-lhe provisoriamente os raciocínios.

Aceita-os quais se mostram, continuando a agir no exercício do bem e seguindo adiante na construção da vida melhor em ti mesmo.

Ninguém aprende algo de bom e nem melhora a si mesmo, sem os outros, mas ninguém pode depender totalmente dos outros nas realizações que demande.

Nos momentos de mudanças e renovação para aqueles a quem mais amas, afasta de ti a idéia de separação e não te lastimes.

Prossegue trabalhando, porque, pelos Desígnios da Vida Superior, outros virão ao teu encontro para a execução das tarefas que o mundo te conferiu e os que se afastam de ti voltarão depois, com mais força de amor, a fim de te auxiliarem ou serem auxiliados.

A verdade não se deteriora.

Somente perde os seres queridos aquele que possessivamente os procura, quando se fazem distantes, porquanto quem ama, ama sempre, e de tal modo que, ainda mesmo quando os corações amados se distanciam, o coração que ama prossegue amando-os e abençoando-os, sabendo conscientemente que, pelas forças do espírito, jamais deles se afastará.

Livro: CALMA -  FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER  (EMMANUEL)